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Cuidadora de mim,
aprender a cuidar, para cuidar de quem cuida 

Me reconheci uma CUIDADORA 

Desde menina exerci tarefas do âmbito da casa, do cuidar da irmã mais nova, de cozer e cuidar das plantas, realizando o que era preciso ser feito para a manutenção da vida que acontecia ao meu redor. De menina a jovem, oscilava entre esta vocação natural para cuidar, a uma negação herdada culturalmente, de quem percebia ser este um âmbito invisível, não reconhecido.

 

A atividade da Cuidadora é culturalmente negligenciada, socialmente desqualificada e economicamente desvalorizada. Esta qualidade tão fundamental para a manutenção da vida está presente na costureira, na cozinheira, naquela que cuida da casa e das crianças, na professora escolar, na que conta história, que cura e conhece as ervas, os saberes da terra, das plantas e das fases da Lua, na mãe, na avó, naquela que está no lar, e a que sai para trabalhar.  

Olhei para esta mulher, esta ciência que habita nosso corpo, nossos ciclos, nossos saberes, e me tornei mulher que cuida. Percebi uma rede sustentando a vida ao meu redor, e reconheci em mim uma tecelã que nutre este elo ao lado de tantas outras, e outros.

CUIDAR, do latim cogitare, decompõe-se em co + agitare. Agitare era a insistência do agere ("agir"). Das tarefas mais físicas do agir chegou-se ao agir do espírito. A expressão - agitare mente - significava "mover no espírito", caminhar no pensamento, direcionar ideias, andando com elas. Pensar, refletir, agir no Mundo através do movimento do espírito.

Me reconhecer Cuidadora de mim mesma e me colocar a serviço do CUIDAR foi um encontro, um re-cordar (passar pelo coração), uma atitude de empoderamento pessoal e social, revisitando a minha criança, e a maneira como eu me expresso no Mundo como Mulher.